Quando o corpo fala e a mente grita: um desabafo sobre burnout, rotina e autoconhecimento
Nos últimos meses, eu me peguei cansado de existir. Não o cansaço físico de um dia longo, mas aquele peso que vem de dentro, que atravessa o peito e se espalha silenciosamente por cada parte da vida.
Era como se eu estivesse sempre atrasado — mesmo quando fazia tudo certo. Trabalho, faculdade, contas, responsabilidades, e o papel mais importante de todos: ser pai. Mas ser pai à distância, sem poder estar presente como eu queria, é um tipo de dor que não se explica. É um amor que mora no peito e uma saudade que nunca dorme.
Entre uma entrega de projeto e uma reunião, percebi que algo estava errado. Eu não descansava mais. Mesmo dormindo, minha mente corria, tentando resolver problemas que nem existiam ainda. O corpo doía, o coração acelerava sem motivo. E então veio o diagnóstico que ainda não é oficial, mas é uma possibilidade constante: TEA (Transtorno do Espectro Autista).
De repente, tudo fez sentido — e ao mesmo tempo, nada fazia. Comecei a olhar pra minha vida com outros olhos. As dificuldades de socializar, o jeito intenso de sentir, a sobrecarga quando algo sai do controle. Tudo isso sempre esteve ali, mas eu nunca havia me permitido entender.
Foi nesse ponto que a Biah Tonelotto, minha terapeuta, entrou na história. A terapia não foi um “recomeço” — foi um mergulho. Profundo, desconfortável, mas necessário. Com ela, aprendi a colocar nome nas emoções que eu sempre tentava esconder. Descobri que não é fraqueza pedir ajuda, e que entender seus limites é uma forma de força.
A Biah me ajudou a enxergar que o burnout não é apenas um colapso — é o corpo implorando por uma pausa. É o grito da mente dizendo que não dá mais pra continuar no automático.
Hoje, ainda há dias difíceis. Ainda tenho crises de ansiedade, momentos de dúvida, e períodos em que tudo parece demais. Mas agora existe também algo novo: consciência. E com ela, vem o poder de mudar o ritmo.
Aprendi que produtividade não é sobre fazer mais. É sobre viver melhor. É sobre ter energia pra ser quem você é — com falhas, pausas e tudo.
Cuidar da mente não é luxo, é sobrevivência.
E se eu posso deixar um conselho a quem lê isso, é: faça terapia.
Encontre alguém que te escute de verdade, como a Biah Tonelotto faz comigo.
Permita-se parar, respirar, e recomeçar quantas vezes for preciso.
Porque, no fim, não é sobre ser perfeito.
É sobre ser realmente você.
— Felipe
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